sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Por todas as razões, J. Saramago está de parabéns!


“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?”
Almeida Garrett
(1799-1854)
CITADO NO BLOGUE “O CADERNO DE SARAMAGO”, O BLOGUE DE JOSÉ SARAMAGO – 10 ANOS DEPOIS DE TER RECEBIDO O NOBEL, SEMPRE ACUTILANTE E CERTEIRO.


PARABÉNS PELO NOVO LIVRO “ A VIAGEM DO ELEFANTE" que trata da insólita viagem de um elefante chamado Salomão que, no século XVI, cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. O episódio é verdadeiro e passou-se na corte do rei João III, rei de Portugal e Algarves.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Dickens, um fabuloso Cântico de Natal




Quem não se lembra do sempre forreta,cruel,intolerante, insensível Mr. Scrooge,no conto de Charles Dickens (1812-1870), o escritor inglês? Pois,a RTP Memória não deixou de o relembrar, no final de 2008, numa série fabulosa. Scrooge, sempre preocupado com a sua vida financeira, é a figura hiperbolizada daquele que sendo individualista, não se viu ainda verdadeiramente ao espelho. E quando o faz, pela mão dos três espíritos que o visitam, descobre que não vale a pena estar só, numa NOITE DE NATAL. Ler este conto e depois ler uma história de Natal, com o Tio Patinhas, do Walt Disney, permite verificar como Scrooge chegou a todos os jovens, através da Banda Desenhada, sem darmos conta. Em Inglês, o Tio Patinhas chama-se precisamente UNCLE SCROOGE. Boa leitura!


Para quem gosta de ler o original de Dickens: http://www.fashion-era.com/Christmas/dickens_christmas_carol_scrooge.htm
Para quem prefere uma tradução recente da Vislis Editores, ou do Público, além de outras de editoras mais antigas, como a Europa-América ( há muitas possíveis, razoáveis)pode encontrá-las numa boa livraria.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Pessoa escreveu sobre o Natal!

É verdade, também ele não resistiu a esta quadra e escreveu alguns poemas sobre o Natal. Vale a pena recordá-los - um fala da chuva, do frio e da sua solidão; o outro da neve e da ausência do aconchego familiar. Mas aquele que gosto mais é o que o seu heterónimo Alberto Caeiro escreveu, aquele poema belíssimo que fala do menino Jesus que queria ser menino e que está com o poeta e connosco todos os dias, na nossa casa. Vale a pena ouvi-lo declamado por Maria Bethânia, a cantora brasileira que adora Pessoa, no seu disco Rosa dos Ventos.

Se clicarem, podem ler então os dois poemas que todos se lembram de ter lido em qualquer lugar. No Youtube, ouvem M.Bethânia.



http://www.professordouglas.com/2007/12/poesia-fernando-pessoa.html

http://www.lovers-poems.com/poesia-fernando-pessoa-chove-e-dia-de-natal.html

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

100 anos - Que sabemos de Machado de Assis?




No centenário do nascimento deste conceituado escritor brasileiro, que decorre este ano, juntamo-nos às comemorações que têm decorrido, de forma intensa, no Brasil e cá ( a Fundação Calouste Gulbenkian e a CPLP organizaram um colóquio internacional; a casa Fernando Pessoa organizou uma maratona de leitura da obra "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e muitas bibliotecas municipais e escolas não o esqueceram). M. Assis também escreveu sobre o Natal - vale a pena (re)ler os seus contos, especialmente o que consta da colectânea " 101 NOITES DE NATAL" da Porto Editora.

Também escreveu um Soneto de Natal, disponível em :

assinala.htmlhttp://www.releituras.com/machadodeassis_soneto.asp

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Natal é quando um homem quiser!


Nesta época de partilha, de família, de paz e de tolerância, lembro-me sempre desta frase, mas quero dizer-vos que o autor da mensagem foi um grande poeta. Pois, quem não gosta desta canção de Paulo de Carvalho e deste poema do saudoso José Carlos Ary dos Santos? Vamos recordá-lo e reabilitá-lo, pois ele merece e nós temos esse dever – ler a sua poesia é um dever cultural.



Quando um Homem quiser

Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos
Intérprete: Paulo de Carvalho



Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo

És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, nasceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1937, tendo falecido a 18 de Janeiro de 1984, em Lisboa . Aos catorze anos, a sua família publica-lhe alguns poemas, considerados maus pelo poeta. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett. Entretanto, concorre, sob pseudónimo, ao Festival da Canção da RTP com os poemas "Desfolhada"e "Tourada", obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo –o da música que o poeta melhor se tornaria conhecido entre o grande público. Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.

“ Eu, Animal” de Indra Sinha, um escritor indiano.


Finalista do Prémio Man Booker 2007 e Vencedor do Prémio Commonwealth 2008.

Gostei desta bela história que retrata a procura da dignidade humana e da entreajuda, numa sociedade onde o poder económico se sobrepõe aos valores morais. Animal procura sobreviver, depois do desastre químico que quase destruiu o seu corpo e o seu futuro, tal como afirma no livro: «Já fui humano em tempos. Assim mo dizem. Eu próprio não me recordo, mas as pessoas que me conheceram em pequeno dizem que eu caminhava sobre os dois pés, como um humano...». (Professora Fernanda Azevedo)

“ A Tia Júlia e o escrevedor” de Mário Vargas Losa


Ando a ler um livro e estou a gostar. Trata-se de um romance do escritor Mário Vargas Losa, intitulado “A Tia Júlia e o escrevedor”. Neste romance, quase autobiográfico, o século vinte e a história dos meios de comunicação cruzam-se com a vida do escritor, ainda jovem, mas já motivado para as lides da escrita - queria ser escritor -  e da comunicação. Lidando de perto com a vida jornalística, o Varguitas, estudante de Direito, apaixonado por Júlia, uma mulher mais velha, convive com editores, produtores de folhetins radiofónicos e outras personagens, tão em voga, na altura. É um romance divertido que retrata a sociedade peruana de meados do século XX e o sentido da literatura e da comunicação social – com a personagem Pedro Camacho, escritor de folhetins radiofónicos, como símbolo dos dois meios que se entrecruzam. (Professora Ana Martins)